Por duas vezes, Mato Grosso sonhou ser independente.

Lázaro Thor Borges

lazaro@gazetadigital.com.br

Rafael Zanol/Reprodução quadro de Moacyr Freitas

Rafael Zanol/Reprodução quadro de Moacyr Freitas

Muitos anos depois, em 1892, o coronel João da Silva Barbosa não recordaria a remota noite do dia 30 de maio de 1834 quando Bento Franco de Camargo, chefe da Guarda Nacional, levou o povo às ruas de Cuiabá em uma luta ensandecida

contra o poder português, que mesmo depois da independência do Brasil ainda reinava na cidade provinciana.

O episódio, que ficou conhecido como Rusga, é tão esquecido quanto o levante comandado pelo coronel Barbosa. Os dois acontecimentos relembrados neste 7 de setembro, dia que se comemora a Independência do Brasil, mostram que antes e depois da separação do reino português já havia entre alguns mato-grossenses um desejo de se desvencilhar de Portugal e, em alguns casos, até do Brasil.

Pode soar estranho hoje, em se tratando de um Estado totalmente incorporado ao governo. Mas, naqueles idos, o desejo separatista era irmão da revolta causa da pela presença maciça de portugueses no comércio e na cultura local. Foi este

sentimento que fez com que cuiabanos apelidassem os portugueses de bicudos, referência ao peixe glutão, que engole tudo que vê pela frente. Alcunha que servia como crítica à ambição e a avareza dos lusitanos.

De certa forma foi um movimento liberal que nasceu logo depois da independência e que tinha semelhança com outros movimentos, também contra a elite portuguesa, como a Cabanada no Pará e a Farroupilha no Rio Grande do Sul, explica o economista Wilson Fuáh, que se considera um pesquisador da história cuiabana. A diferença é que em Cuiabá não exaltamos

essa revolução, muitos vêem como uma página obscura na nossa história, porque muitos portugueses foram degolados, espancados, decapitados, a violência foi muito grande, conta Fuáh.

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