Entre a rotina dos serviços gerais, haitiana não esconde sonho de ser modelo.

Ana Flávia Corrêa

anaflavia@gazetadigital.com.br

Entre as pessoas que passam pela Praça Alencastro, no centro de Cuiabá, a jovem haitiana Wisline Jean, se destaca pelos seus cabelos cacheados com as pontas em dois tons de loiro. Na rotina da jovem, que está desde 2016 na Capital, ao menos 2 horas são dedicadas à maquiagem, cuidados com as madeixas e escolha da roupa.

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“Eu uso cabelo orgânico, troco a cada três meses. Eu compro com uma amiga haitiana e arrumo o meu cabelo sozinha. Eu já tive cabelo loiro escuro, vermelho, ruivo. Costumo mudar a cada dois ou 3 meses”, explicou. 

Wisline gosta de chamar a atenção ao passar pelas ruas. Ela se sente bem ao ser elogiada pelo seu cabelo diferente. As haitianas costumam se destacar por seus cabelos trançados, símbolo da vaidade presente na cultura do país caribenho. Apesar de não ter tranças, a jovem as faz em brasileiras dispostas a pagar pelo serviço.

Depois que concluiu o ensino médio no Haiti, Wisline pediu aos pais que viesse para Cuiabá morar com a irmã mais velha. Em sua opinião, o país devastado por um terremoto em 2010 não poderia mais abrigar seus sonhos.

“Eu tenho vários sonhos e o que eu sonhava já não era mais possível de ser realizado. Eu falei com os meus pais e eles concordaram de eu vir para Cuiabá. Eu tenho vários sonhos ainda. Quero ser modelo, cantora e atriz”, afirmou.

Aqui em Cuiabá, depois de dois anos procurando conseguiu um emprego como auxiliar de serviços gerais em uma escola de dança, em que trabalha um dia sim e outro não. Segundo ela, apesar de algumas tentativas frustradas de ser modelo, na capital mato-grossense ainda há mais possibilidade de seguir a profissão do que no país natal.

“O povo cuiabano é muito acolhedor. Eu posso dizer que ao menos 85% me tratam muito bem, mas não é todo mundo que tem esse sentimento. Tem gente que não gosta de estrangeiro. Alguns empregos não dão para gente porque não gostam de estrangeiros.”

Entre as tranças, a vaidade e o emprego, Wisline ainda arranja tempo para aperfeiçoar o português e finalizar o ensino médio no Brasil. Ela chegou ao país sem saber nada do idioma, e agora, depois de três anos, fala fluentemente.

“Agora eu falo bem, mas ainda estou aprendendo. Tem palavras que quando eu ouço eu não conheço, por isso que falo que eu ainda estou aprendendo. Eu não quero só falar o português, mas quero também falar o português correto.”  



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