Doenças relacionadas ao tabagismo

Doenças relacionadas ao tabagismo

O tabagismo é reconhecido como uma doença crônica gerada pela dependência da nicotina, estando por isso inserido na Classificação Internacional de Doenças (CID10) da Organização Mundial da Saúde (OMS). É também o mais  importante fator de risco isolado para cerca de 50 doenças, muitas  delas graves e fatais, como o câncer, cardiovasculares, enfisema e outras.

A OMS tem alertado que a carga global das doenças crônicas não transmissíveis (doenças cardiovasculares, doenças respiratórias crônicas, diabetes, câncer) está aumentando e representa a principal barreira para o desenvolvimento e o alcance dos Objetivos do Milênio para o Desenvolvimento. E o tabagismo é um dos principais fatores de risco dessas doenças.

O tabaco fumado em qualquer uma de suas formas causa até 90% de todos os cânceres de pulmão e é um fator de risco significativo para acidentes cérebro-vasculares e ataques cardíacos mortais. Os produtos de tabaco que não produzem fumaça também causam dependência e são responsáveis pelo desenvolvimento de câncer de cabeça, pescoço, esôfago e pâncreas, assim como muitas patologias buco-dentais 1.

O tabagismo é responsável pelos seguintes cânceres 2

  • Leucemia mielóide aguda
  • Câncer de bexiga
  • Câncer de pâncreas
  • Câncer de fígado
  • Câncer do colo do útero
  • Câncer de esôfago
  • Câncer nos rins
  • Câncer de laringe (cordas vocais)
  • Câncer de pulmão
  • Câncer na cavidade oral (boca)
  • Câncer de faringe (pescoço)
  • Câncer de estômago

Comparados aos não fumantes, estima-se que o tabagismo aumenta o risco de 3:  

  • desenvolver doença coronariana em 2 a 4 vezes 4;
  • desenvolver acidente vascular cerebral em 2 a 4 vezes; 
  • homem desenvolver câncer de pulmão em 23 vezes;
  • mulher desenvolver câncer de pulmão em 13 vezes; e
  • morrer de doenças pulmonares obstrutivas crônicas (como bronquite crônica e enfisema) em 12 a 13 vezes.

No Brasil:

Em 2014, as doenças cardiovasculares e o câncer, que têm o tabagismo como seu mais importante fator de risco, foram a primeira e segunda causas de óbitos por doença no Brasil. A mortalidade por câncer correspondeu a 15,26% do total de óbitos.

A estimativa para o Brasil, biênio 2016-2017, aponta a ocorrência de cerca de 600 mil casos novos de câncer.  Sem contar os casos de câncer de pele não melanoma, os tipos mais frequentes em homens serão próstata (28,6%), pulmão (8,1%), intestino (7,8%), estômago (6,0%) e cavidade oral (5,2%). Nas mulheres, os cânceres de mama (28,1%), intestino (8,6%), colo do útero (7,9%), pulmão (5,3%) e estômago (3,7%) figurarão entre os principais. Destaca-se, a seguir, aqueles nos quais o tabagismo é fator de risco:

Câncer de pulmão no Brasil:

Em 2016 foi estimado 17.330 de casos novos de câncer de traqueia, brônquios e pulmões entre homens e 10.890 entre mulheres. Esses valores correspondem a um risco estimado de 17,49 casos novos a cada 100 mil homens e 10,54 para cada 100 mil mulheres.

O principal fator de risco para o desenvolvimento do câncer de pulmão é o tabagismo, que é responsável por, aproximadamente, 6 milhões de mortes anuais no mundo, e aproximadamente 147 mil mortes no Brasil, incluindo o câncer.

O padrão da ocorrência desse tipo de neoplasia, em geral, reflete o consumo de cigarros da sua região. Na maioria das populações, os casos de câncer de pulmão tabaco-relacionados representam mais de 80% dos casos de câncer de pulmão.

Câncer da cavidade oral:

No ano de 2016, para o Brasil, foi estimado 11.140 casos novos de câncer da cavidade oral em homens e 4.350 em mulheres. Tais valores correspondem a um risco estimado de 11,27 casos novos a cada 100 mil homens e 4,21 a cada 100 mil mulheres.

O câncer de cavidade oral faz parte do conjunto de tumores que afetam a cabeça e o pescoço. Foram estimados cerca de 300 mil casos novos no mundo, em 2012, sendo que, desses, aproximadamente dois terços são no sexo masculino. Para a mortalidade, foram estimados 145 mil óbitos por câncer no mundo, em 2012, com cerca de 80% ocorrendo em regiões menos favorecidas. O etilismo, o tabagismo e as infecções pelo HPV, principalmente pelos tipos 16 e 18, são os principais fatores de risco para esse grupo de tumores. O risco de desenvolver câncer de cavidade oral atribuído ao tabagismo e etilismo é de aproximadamente 65%. Quando esses dois fatores estão juntos, é observada a existência de um sinergismo entre eles, fazendo com que esse risco aumente ainda mais.

Câncer de bexiga:

Estimou-se 7.200 casos novos de câncer de bexiga em homens e de 2.470 em mulheres no Brasil, em 2016. Esses valores correspondem a um risco estimado de 7,26 casos novos a cada 100 mil homens e 2,39 para cada 100 mil mulheres.

O principal fator de risco para o câncer de bexiga é o tabagismo. O risco de desenvolver câncer de bexiga entre os fumantes é cerca de duas a seis vezes maior do que em não fumantes. Sendo responsável por, aproximadamente, 66% dos casos novos em homens e 30% dos casos novos em mulheres. Grande parte do risco associado ao fumo ocorre em função da presença de aminas aromáticas (incluindo benzidina, 4-aminobifenil e 4-cloro-toluidino) na fumaça do cigarro.

Câncer de laringe:

Para 2016, no Brasil, estimou-se 6.360 casos novos de câncer da laringe em homens e 990 em mulheres. O risco estimado será de 6,43 casos a cada 100 mil homens e de 0,94 casos a cada 100 mil mulheres.

Os principais fatores de risco são o álcool e o tabaco. Existe evidência do aumento do risco de câncer da laringe quando for sinérgico o consumo do álcool e do fumo em quantidades exageradas. Outros fatores associados são: histórico familiar, alimentação pobre em nutrientes, situação socioeconômica desfavorável, presença do HPV e exposição excessiva a produtos químicos. Por outro lado, o consumo adequado de frutas e hortaliças parece exercer um efeito protetor contra a doença.

Referências:

  1. Relatório da OMS sobre a Epidemia Global de Tabagismo, 2008: Pacote MPOWER. Sumário Executivo: http://www.who.int/tobacco/mpower/mpower_report_full_2008.pdf
  2. Centers for Disease Control and Prevention – Health Effects of Cigarette Smoking. Disponível em http://www.cdc.gov/tobacco/data_statistics/fact_sheets/health_effects/ef…
  3. U.S. Department of Health and Human Services. The Health Consequences of Smoking: A Report of the Surgeon General. Atlanta: U.S. Department of Health and Human Services, Centers for Disease Control and Prevention, National Center for Chronic Disease Prevention and Health Promotion, Office on Smoking and Health, 2004. http://www.surgeongeneral.gov/library/smokingconsequences/
  4. U.S. Department of Health and Human Services. Reducing the Health Consequences of Smoking: 25 Years of Progress. A Report of the Surgeon General. Rockville (MD): U.S. Department of Health and Human Services, Public Health Service, Centers for Disease Control, National Center for Chronic Disease Prevention and Health Promotion, Office on Smoking and Health, 1989. Disponível em http://profiles.nlm.nih.gov/NN/B/B/X/S/_/nnbbxs.pdf

Referências complementares:

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